Tag: Leitura

Um pouco de louco e de medo

Um corredor escuro e as cortinas da janela que parecem desviar de algo. Será que eu vi uma sombra? Um vento que escorregou perto da perna? E todos aqueles acontecimentos do passado, uns da infância, muito mais carregados de cores, odores e impressões, voltam a nos assombrar. Distantes, porém carimbados pela memória, eles pulam um por um. Você tem medo de quê?

Dizem que todos temos algo de louco, eu digo que temos algo de medo. Todo mundo tem, teve e terá medo de algo. E boa parte disso nasce silencioso, escondido, navega ignorado, até que um dia, numa situação específica, emerge. O medo é muito nosso, das nossas entranhas. É tão meu que, por vezes, o vizinho não entende,  justamente, porque não o compartilha, não sente a mesma coisa.

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CLUBE DE LEITURA ROSAS NO ASFALTO: as costuras e o prisma de experiências, lendo “O dentro no dentro: colcha de retalhos”, de Aguinaldo José Gonçalves.

Tenho comprovado o que sempre defendi: o hábito da leitura se constrói através do tempo. Digo sempre aos meus alunos que não há fórmula para que se possa compreender um texto, há apenas caminhos e estes precisam ser percorridos todos os dias. Desde pequena já ocupava meu tempo com bons livros e sempre que podia, sacava um da bolsa e lia em qualquer lugar, a leitura para mim é necessidade. Não gosto de ficar sozinha, então, os livros sempre foram a minha companhia constante. Eu tenho assistido a floração da prática da leitura prazerosa e, mais ainda, de uma percepção mais aguçada do “dentro do dentro” do texto, desde que começamos nossas reuniões no Clube de Leitura Rosas no Asfalto, e isso para uma professora de literatura é alegria pura.

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O machado pungente de Raskolnikóv: a primeira reunião de 2017 do CLUBE DE LEITURA RNA

Inauguramos neste sábado, dia 25 de fevereiro de 2017, no Manjericão Comida Saudável, nosso primeiro encontro do Clube de Leitura Rosas no Asfalto. Por sugestão dos nossos membros, iniciamos com recomendações de músicas, filmes, séries ou livros que lemos e gostamos. Gosto muito deste momento porque sinto a importância do conhecimento construído e compartilhado. Todo mundo tem algo a falar, uma coisa que chamou atenção, um “texto” (no sentido geral mesmo) que o enlevou, “o fez melhor”, como os pensadores sabidos da literatura costumam falar. Como seria, então, este “melhor”? Podemos dizer que nos tornamos seres mais interessantes, reflexivos, uns tipos que fazem diferença na sociedade. Essa foi a linha principal da nossa discussão sobre o anti-herói de Dostoiévski: Rodion Romanovitch Raskolnikóv. Claro que um romance de quase 600 páginas tem muito material para ser discutido, porém, o assassino não convicto foi o motor da nossa conversa. A narrativa pausada e extensa, embora seja uma característica de Dostoiévski, é também eco da necessidade de convicção que nutre o Realismo.

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