Tag: Clube de leitura

O crocodilo, de Dostoiévski

   Qual seria sua impressão ao ver um homem ser engolido vivo por um crocodilo? Medo, indignação, desespero, compaixão? E quando um autor consegue imprimir neste tipo de acontecimento uma veia cômica, patético-cômica, mais precisamente? Um conto que, sem dúvida, deixa a marca do confronto com as misérias humanas. Publicado parcialmente em 1864, na segunda edição da revista Epokha, “O crocodilo” já prenuncia os feitos narrativos do Dostoiévski da maturidade, o produtor de obras como “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, ” O idiota”, entre outras.

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Um pouco de louco e de medo

Um corredor escuro e as cortinas da janela que parecem desviar de algo. Será que eu vi uma sombra? Um vento que escorregou perto da perna? E todos aqueles acontecimentos do passado, uns da infância, muito mais carregados de cores, odores e impressões, voltam a nos assombrar. Distantes, porém carimbados pela memória, eles pulam um por um. Você tem medo de quê?

Dizem que todos temos algo de louco, eu digo que temos algo de medo. Todo mundo tem, teve e terá medo de algo. E boa parte disso nasce silencioso, escondido, navega ignorado, até que um dia, numa situação específica, emerge. O medo é muito nosso, das nossas entranhas. É tão meu que, por vezes, o vizinho não entende,  justamente, porque não o compartilha, não sente a mesma coisa.

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A Festa da Gente: Laura de Katherine Mansfield

O lugar onde nascemos define tudo o que somos? Podemos nos rebelar contra o espírito de probabilidade, dos sonhos dos outros, das esperanças daqueles que amamos, das pobrezas, da pequenez que insiste em ficar? Laura, personagem de “A festa no jardim”, (conto de Katherine Mansfield♥ Já lemos outros conto dela, procure na categoria Clube de Leitura), mostra que é possível libertar a consciência. Dia 01 de abril, na cafeteria Laranja Lima, tivemos nosso segundo encontro de 2017 do Clube de Leitura Rosas no Asfalto. O texto lido faz parte do exemplar 15 contos escolhidos de Katherine Mansfield, organizado por Flora Pinheiro e traduzido por Mônica Maia.

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Cultivando para o futuro: Sobre o CLUBE DE LEITURA ROSAS NO ASFALTO

PRIMEIRAS MUDAS

Os meus seis anos como professora na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), lecionando disciplinas de Literatura, delineou para mim uma situação não muito aprazível com relação ao volume de leituras dos meus alunos. Alguns chegando muito crus, esboçam, sem orgulho, que não possuem (ou possuíam) o hábito da leitura. É verdade que as exigências do curso de Letras acabam impulsionando, com fórceps ou não, a prática. No caso da ação construída pela força, necessidade, com uma certa violência diga-se de passagem, não sei o que se aproveita: o aluno finaliza o curso e finaliza, também, seu exercício da leitura. Afinal de contas, como demonstrar que ler não é uma tarefa só de professores ou estudantes? Que a leitura rasga, com ponta de faca amolada, aqueles horizontes batidinhos, cansados pelo discurso fácil, muitas vezes opressor mesmo? A força libertadora da literatura ensina a gente que as coisas mais interessantes não estão na superfície, mas, muitas vezes, no osso buco, nos vazios, naquilo que a gente nega!!

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O machado pungente de Raskolnikóv: a primeira reunião de 2017 do CLUBE DE LEITURA RNA

Inauguramos neste sábado, dia 25 de fevereiro de 2017, no Manjericão Comida Saudável, nosso primeiro encontro do Clube de Leitura Rosas no Asfalto. Por sugestão dos nossos membros, iniciamos com recomendações de músicas, filmes, séries ou livros que lemos e gostamos. Gosto muito deste momento porque sinto a importância do conhecimento construído e compartilhado. Todo mundo tem algo a falar, uma coisa que chamou atenção, um “texto” (no sentido geral mesmo) que o enlevou, “o fez melhor”, como os pensadores sabidos da literatura costumam falar. Como seria, então, este “melhor”? Podemos dizer que nos tornamos seres mais interessantes, reflexivos, uns tipos que fazem diferença na sociedade. Essa foi a linha principal da nossa discussão sobre o anti-herói de Dostoiévski: Rodion Romanovitch Raskolnikóv. Claro que um romance de quase 600 páginas tem muito material para ser discutido, porém, o assassino não convicto foi o motor da nossa conversa. A narrativa pausada e extensa, embora seja uma característica de Dostoiévski, é também eco da necessidade de convicção que nutre o Realismo.

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Sobre Crime e Castigo, de Dostoiévski

A primeira vez que li Crime e Castigo, eu tinha 19 anos. Mesmo com a maturidade intelectual ainda aflorando, confesso que, naquela época, a narrativa já me deixou em estado de encantamento. Agora, sob um clima agradável e ameno de final de tarde, aos 32 anos, concluo uma releitura. O impacto é outro, as reflexões são novas, mas a mente vai buscar, ao longo da memória das sensações, aquele encantamento. Pronto, eu senti de novo, termino o livro, fecho cuidadosamente, e fico em estado de meditação.crime e castigo 1

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