Categoria: Dica de leitura (Página 1 de 2)

O crocodilo, de Dostoiévski

   Qual seria sua impressão ao ver um homem ser engolido vivo por um crocodilo? Medo, indignação, desespero, compaixão? E quando um autor consegue imprimir neste tipo de acontecimento uma veia cômica, patético-cômica, mais precisamente? Um conto que, sem dúvida, deixa a marca do confronto com as misérias humanas. Publicado parcialmente em 1864, na segunda edição da revista Epokha, “O crocodilo” já prenuncia os feitos narrativos do Dostoiévski da maturidade, o produtor de obras como “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, ” O idiota”, entre outras.

Dostoevski

Ler mais

O machado pungente de Raskolnikóv: a primeira reunião de 2017 do CLUBE DE LEITURA RNA

Inauguramos neste sábado, dia 25 de fevereiro de 2017, no Manjericão Comida Saudável, nosso primeiro encontro do Clube de Leitura Rosas no Asfalto. Por sugestão dos nossos membros, iniciamos com recomendações de músicas, filmes, séries ou livros que lemos e gostamos. Gosto muito deste momento porque sinto a importância do conhecimento construído e compartilhado. Todo mundo tem algo a falar, uma coisa que chamou atenção, um “texto” (no sentido geral mesmo) que o enlevou, “o fez melhor”, como os pensadores sabidos da literatura costumam falar. Como seria, então, este “melhor”? Podemos dizer que nos tornamos seres mais interessantes, reflexivos, uns tipos que fazem diferença na sociedade. Essa foi a linha principal da nossa discussão sobre o anti-herói de Dostoiévski: Rodion Romanovitch Raskolnikóv. Claro que um romance de quase 600 páginas tem muito material para ser discutido, porém, o assassino não convicto foi o motor da nossa conversa. A narrativa pausada e extensa, embora seja uma característica de Dostoiévski, é também eco da necessidade de convicção que nutre o Realismo.

crime e castigo 4

Ler mais

Sobre Crime e Castigo, de Dostoiévski

A primeira vez que li Crime e Castigo, eu tinha 19 anos. Mesmo com a maturidade intelectual ainda aflorando, confesso que, naquela época, a narrativa já me deixou em estado de encantamento. Agora, sob um clima agradável e ameno de final de tarde, aos 32 anos, concluo uma releitura. O impacto é outro, as reflexões são novas, mas a mente vai buscar, ao longo da memória das sensações, aquele encantamento. Pronto, eu senti de novo, termino o livro, fecho cuidadosamente, e fico em estado de meditação.crime e castigo 1

Ler mais

Literatura e Moda: de Katherine Mansfield à Ines de la Fressange

Estas férias, aproveitando que estava no olho do furação cultural rsrsrsrs,  ou uma cidade chamada São Paulo, fiz algumas aquisições para minha humilde biblioteca, e venho compartilhar com vocês. Eu gosto de arrumar minhas estantes e ir lembrando a história da compra de cada exemplar: data, lugar, motivo. Confesso que os últimos anos foram bem complicados, muito trabalho para conciliar com o Doutorado e fui perdendo este pequenos hábitos. O post não é sobre isso, mas eu queria alertar vocês sobre como o excesso do dia a dia, e mesmo daquilo que a gente acha que nunca nos atrapalha, acaba sugando nossas energias, e tirando o nosso foco de coisas que gostamos e que nos fazem felizes. 

Fevereiro 2017

Eu sempre gostei de ler. Quando pequena, devorava as coleções que ganhava de presente da minha mãe, e fui seguindo esta linha. Quando estudante de graduação, adorava ir a biblioteca procurar títulos e autores novos para descobrir. O fato é que, com passar dos anos, eu esqueci o prazer imenso de entrar numa livraria como quem vai a um restaurante. Tateando o cardápio, escolhendo os pratos, as bebidas cuidadosamente, sem uma obrigação de procurar por isso ou aquilo, para discutir uma pesquisa, estudar mais sobre um ponto solto na tese etc.

IMG_4965

Ler mais

Coisas de Casa, de Aguinaldo Gonçalves

Processed with VSCO with a10 preset

Se tem uma coisa que é complicada para um professor de Literatura é mostrar a pluralidade da linguagem no texto criativo. Os grandes ensinam que o texto tem abertura, se carrega de significado na grande literatura, tem sabor, e se constrói a partir de um sistema de relações, marcando a singularidade do verbo poético.

Ler mais

Lápis e Pincel: a narrativa pictórica de Edgar Allan Poe

588bed_c15988042007497aa07126cb20338b59-mv2

Muita gente conhece o Poe de “O corvo”, aquela ave tenebrosa que repete “nevermore”, e que consagrou o escritor norte-americano como mestre da narrativa macabra. Mais do que macabra, Poe é autor da tensão, apertando palavra contra palavra, som contra som, ritmo contra ritmo, cor contra cor.

Ler mais

Tolstói: o bruxo russo

 Ler Tolstói é sentir as pequenas rosas que dão ao plano um toque de obliquidade, transformando os assuntos mais batidos em coisas singulares, interessantes e grandiosas.

1914242eed23a7f51120748ffdb3dcbf

Foto: reprodução Pinterest

Ler mais

O Belo Feio

Esta semana ministrei aulas sobre o reposicionamento da categoria do feio pelo Romantismo. Segundo Bakthin, o grotesco romântico tinha como particularidades: o riso satânico-irônico, a crueldade da sátira, os tons sombrios da loucura, a tragédia das marionetes.  Ao contrário do diabo medieval, quando representado nas festividades do carnaval, o diabo romântico é o herói, o transgressor bíblico de olhos melancólicos e horripilantes. O feio como assunto de arte foi impulsionado, em grande parte, pelas tendências anticlássicas. A aspiração ao Absoluto, do mesmo modo, abriu as portas ao conhecimento e exploração dos mundos sobrenaturais, e do onírico e inconsciente humano.

588bed_301a40e0d81e41e1998a211f25a45bc9-mv2

     

Ler mais

Sobre como a escrita pode ser radioativa

Conheci o Nobel de Literatura, “Vozes de Tchernóbil”, comprei e fui lendo, aos poucos, sorvendo as palavras, me deixando impactar pela pletora de sentimentos.

588bed_597826e37e4e4baf96453bc116df885f-mv2

Fiquei pensando na morte redimensionada, realocada num contexto de um desastre nuclear. Da contaminação como um espírito que tomou conta de tudo, assombrando os corpos, os alimentos, os animais.

Ler mais

As cidades invisíveis, de Ítalo Calvino

Os caminhos da leitura e os passos das palavras são inesgotáveis. A leitura abre os nossos horizontes e vai nos ofertando uma visão mais verticalizada das coisas. Ler não só com letras, ler situações, fragmentos de canções, pessoas, situações, em suma, o mundo. Freire fala que a “leitura do mundo precede a leitura das palavras”.

588bed_566376949cb84181af7b81f6f81a9b1b

Ler mais

Página 1 de 2

Desenvolvido em WordPress & Tema por Anders Norén