Categoria: Clube de Leitura (Página 1 de 2)

O crocodilo, de Dostoiévski

   Qual seria sua impressão ao ver um homem ser engolido vivo por um crocodilo? Medo, indignação, desespero, compaixão? E quando um autor consegue imprimir neste tipo de acontecimento uma veia cômica, patético-cômica, mais precisamente? Um conto que, sem dúvida, deixa a marca do confronto com as misérias humanas. Publicado parcialmente em 1864, na segunda edição da revista Epokha, “O crocodilo” já prenuncia os feitos narrativos do Dostoiévski da maturidade, o produtor de obras como “Crime e Castigo”, “Os irmãos Karamazov”, ” O idiota”, entre outras.

Dostoevski

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Um pouco de louco e de medo

Um corredor escuro e as cortinas da janela que parecem desviar de algo. Será que eu vi uma sombra? Um vento que escorregou perto da perna? E todos aqueles acontecimentos do passado, uns da infância, muito mais carregados de cores, odores e impressões, voltam a nos assombrar. Distantes, porém carimbados pela memória, eles pulam um por um. Você tem medo de quê?

Dizem que todos temos algo de louco, eu digo que temos algo de medo. Todo mundo tem, teve e terá medo de algo. E boa parte disso nasce silencioso, escondido, navega ignorado, até que um dia, numa situação específica, emerge. O medo é muito nosso, das nossas entranhas. É tão meu que, por vezes, o vizinho não entende,  justamente, porque não o compartilha, não sente a mesma coisa.

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Sobre a Mariana Alcoforado e sangue

Dia desses estava ministrando um curso de extensão sobre Bernini. A intenção era relacionar suas esculturas com poemas, num certo momento. Pois bem, introduzi o conteúdo, falei das esculturas, do Barroco, e cheguei lá naquele ponto que me interessa muito: as curvas sensuais do seu traço poético. E claro que conversamos sobre sua obra prima: “O êxtase de Santa Teresa”. Não sei em que ponto exatamente achei o livro de Leo Spitzer com poemas de Donne, Juana Inês de La Cruz e trechos de Wagner. Refleti sobre o êxtase, as formas de redenção do tédio, de chegar num espaço misto, de transcendência mesmo, salvação pela linguagem da arte. Li os belos versos da monja Juana Inês de La Cruz e algo ressou com a Teresa D´Ávila, até aí nada demais. Logo depois veio uma lembrança do passado quando era estudante da graduação em Letras: Mariana Alcoforado.

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CLUBE DE LEITURA ROSAS NO ASFALTO: as costuras e o prisma de experiências, lendo “O dentro no dentro: colcha de retalhos”, de Aguinaldo José Gonçalves.

Tenho comprovado o que sempre defendi: o hábito da leitura se constrói através do tempo. Digo sempre aos meus alunos que não há fórmula para que se possa compreender um texto, há apenas caminhos e estes precisam ser percorridos todos os dias. Desde pequena já ocupava meu tempo com bons livros e sempre que podia, sacava um da bolsa e lia em qualquer lugar, a leitura para mim é necessidade. Não gosto de ficar sozinha, então, os livros sempre foram a minha companhia constante. Eu tenho assistido a floração da prática da leitura prazerosa e, mais ainda, de uma percepção mais aguçada do “dentro do dentro” do texto, desde que começamos nossas reuniões no Clube de Leitura Rosas no Asfalto, e isso para uma professora de literatura é alegria pura.

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A Festa da Gente: Laura de Katherine Mansfield

O lugar onde nascemos define tudo o que somos? Podemos nos rebelar contra o espírito de probabilidade, dos sonhos dos outros, das esperanças daqueles que amamos, das pobrezas, da pequenez que insiste em ficar? Laura, personagem de “A festa no jardim”, (conto de Katherine Mansfield♥ Já lemos outros conto dela, procure na categoria Clube de Leitura), mostra que é possível libertar a consciência. Dia 01 de abril, na cafeteria Laranja Lima, tivemos nosso segundo encontro de 2017 do Clube de Leitura Rosas no Asfalto. O texto lido faz parte do exemplar 15 contos escolhidos de Katherine Mansfield, organizado por Flora Pinheiro e traduzido por Mônica Maia.

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Cultivando para o futuro: Sobre o CLUBE DE LEITURA ROSAS NO ASFALTO

PRIMEIRAS MUDAS

Os meus seis anos como professora na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), lecionando disciplinas de Literatura, delineou para mim uma situação não muito aprazível com relação ao volume de leituras dos meus alunos. Alguns chegando muito crus, esboçam, sem orgulho, que não possuem (ou possuíam) o hábito da leitura. É verdade que as exigências do curso de Letras acabam impulsionando, com fórceps ou não, a prática. No caso da ação construída pela força, necessidade, com uma certa violência diga-se de passagem, não sei o que se aproveita: o aluno finaliza o curso e finaliza, também, seu exercício da leitura. Afinal de contas, como demonstrar que ler não é uma tarefa só de professores ou estudantes? Que a leitura rasga, com ponta de faca amolada, aqueles horizontes batidinhos, cansados pelo discurso fácil, muitas vezes opressor mesmo? A força libertadora da literatura ensina a gente que as coisas mais interessantes não estão na superfície, mas, muitas vezes, no osso buco, nos vazios, naquilo que a gente nega!!

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O machado pungente de Raskolnikóv: a primeira reunião de 2017 do CLUBE DE LEITURA RNA

Inauguramos neste sábado, dia 25 de fevereiro de 2017, no Manjericão Comida Saudável, nosso primeiro encontro do Clube de Leitura Rosas no Asfalto. Por sugestão dos nossos membros, iniciamos com recomendações de músicas, filmes, séries ou livros que lemos e gostamos. Gosto muito deste momento porque sinto a importância do conhecimento construído e compartilhado. Todo mundo tem algo a falar, uma coisa que chamou atenção, um “texto” (no sentido geral mesmo) que o enlevou, “o fez melhor”, como os pensadores sabidos da literatura costumam falar. Como seria, então, este “melhor”? Podemos dizer que nos tornamos seres mais interessantes, reflexivos, uns tipos que fazem diferença na sociedade. Essa foi a linha principal da nossa discussão sobre o anti-herói de Dostoiévski: Rodion Romanovitch Raskolnikóv. Claro que um romance de quase 600 páginas tem muito material para ser discutido, porém, o assassino não convicto foi o motor da nossa conversa. A narrativa pausada e extensa, embora seja uma característica de Dostoiévski, é também eco da necessidade de convicção que nutre o Realismo.

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Sobre Crime e Castigo, de Dostoiévski

A primeira vez que li Crime e Castigo, eu tinha 19 anos. Mesmo com a maturidade intelectual ainda aflorando, confesso que, naquela época, a narrativa já me deixou em estado de encantamento. Agora, sob um clima agradável e ameno de final de tarde, aos 32 anos, concluo uma releitura. O impacto é outro, as reflexões são novas, mas a mente vai buscar, ao longo da memória das sensações, aquele encantamento. Pronto, eu senti de novo, termino o livro, fecho cuidadosamente, e fico em estado de meditação.crime e castigo 1

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Terceiro Encontro do Clube de Leitura: A árvore florida de Katherine Mansfield

 

Varal montado, feito de flores com pequenas luzes cor de rosa. Em frente, um tapete felpudo e almofadas coloridas e aconchegantes. Para sentar, banquinhos vermelhos, amarelos e azuis, bem convidativos. Plantas muito verdes circulando uma mesa com um bolo de cenoura com chocolate, café, mate e chá. Copos de vidros e xícaras completavam o cenário de um momento de puro êxtase.

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Entrevista sobre o Clube de Leitura

Confira nossa entrevista para TV MERIDIONAL VILHENA. Conto um pouco sobre o CLUBE DE LEITURA ROSAS NO ASFALTO!!

 

 

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