Gosta de castelos? Então, aqui é o teu lugar, amigo! Inaugurando o tópico, o assunto é Vale do Loire. Primeiro, vale a pena dizer que se você deseja conhecer a Europa de forma mais criativa e livre é preciso alugar um carro.  Neste verão de 2017, eu fui conhecer os castelos de Chenonceau, Clos du Lucé e Chambord. Nos dois primeiros eu entrei, conheci os aposentos, os entornos, no terceiro, não foi possível entrar, porque já estava fechado. Como é assunto demais, rsrssrsr, hoje foi falar apenas de Chenonceau.

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Para começar,  é importante dizer que se você vai se aventurar no Vale do Loire é preciso saber:

♥A temperatura. Uma coisa que descobri, desculpe-me os viajados, é que 13 graus por lá não são 13 graus aqui no Brasil, mais precisamente em Vilhena – Rondônia, rsrsrsrsr. Portanto, meu amor, isso vai definir se você usará calça, short, sapato fechado, casaco, jaqueta, etc., e sinceramente, eu digo: leve sempre um casaco.

♥Escolher o calçado. Falo do bom e velho tênis ou bota de salto baixo e confortável. Salto fino ou plataforma nem pensar, você vai visitar jardins, subir e descer escadas de grossos degraus, definitivamente não projetadas para aqueles teus sapatos lindos e inconvenientes. O saldo no final do dia – se você não atentar para isso: calos, bolhas e, talvez, num caso mais grave, uma torção no pé, em virtude dos pedregulhos e desníveis do terreno.

♥Levar uma mochila. Sim, aqui você poderá colocar: o fundamental passaporte, o dinheiro, a nécessaire, o casaco e a velha garrafa de água – vai por mim, água é amor rsrsrs.

O VALE DO LOIRE

 A extensão do Vale do Loire permite que você escolha entre os seus 300 castelos e monte o percurso que possa te agradar:

O território dos castelos do Loire estende-se por três antigas províncias – Orleanês, Touraine e Anjou – e vai até o norte de Berry. Modela-se à volta do grande meandro que forma o Loire subindo em direção noroeste, de Gien a Orleães para depois descer até a região de Anjou.

O lugar foi palco da realeza e é antiquíssimo:

Depois da paz galo-romana veio o tempo dos bárbaros, em seguida, a restauração de um poder por parte dos Merovíngios, e, por fim, o Renascimento Carlovíngio. Ao longo destes séculos de agitações, o Vale do Loire foi um importante centro de desenvolvimento e difusão do cristianismo […].

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CASTELO DE CHENONCEAU – Ou Castelo das Damas

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O cenário que se expõe nos entornos de Chenonceau é de cores suaves: verdes, cinzas e azuis tranquilos. A natureza emoldura a sensação de que o tempo não passou, a gente consegue imaginar facilmente as carruagens, cavalos, fru-frus de vestidos e as temporadas de caça. E aqui, precisamente, tomados pela beleza de seus jardins planejados, é que compreendemos o epíteto de “Castelo das Damas”, um lugar administrado por mulheres ao longo dos séculos: Diane de Poitiers (1499-1566); Catherine de Médicis (1519-1589); Louise de Lorraine (1533-1601); Louise Dupin (1706-1799); Maguerite Pelouze (1836-1902) e Simone Mennier (1881-1972). O cuidado e a força da natureza que ladeiam o castelo testemunham a mão feminina de uma Mennier, enfermeira que chefiou o cuidado de mais de 2000 feridos durante a Primeira Guerra Mundial, usando o espaço de Chenonceau como hospital:

Construído às margens de Cher, sobre um soco de alvenaria retangular que na parte sul imerge no rio, costeado de fossos profundos, nos outros lados é ligado por uma ponte a um moinho fortificado, construído sobre dois grandes pilares unificados por um arco.

Andando em seu interior, vamos visitando la salle des gardes, uma capela,  o quarto de Diane de Poitiers, Cabinet Vert (lugar de trabalho de Catherine de Médicis), biblioteca, etc. No andar de baixo, as cozinhas, com utensílios e comidas que mimetizam cenas do passado. No salão principal, com seu piso alternado de pedras pretas e brancas, os lustres e janelas se abrem para o rio Cher: mostrando águas misturadas de uns verdes e azuis-violetas.Durante o passeio, somos apresentados, nos quartos e salas, à história do castelo, contada também pelas telas. Em meio à profusão, um quadro me chamou a atenção: o de Madame Dupin, moça cuja amizade com os espíritos das Luzes evitou a destruição do Castelo em tempos de Revolução Francesa:

Chenonceau conhece os maiores espíritos do século XVIII, de Marivaux a Voltaire; Jean-Jacques Rosseau aí foi secretário e preceptor do filho de Monsieur e Madame Dupin […].

Louise Dupin (1706- 1799) deu ao castelo de Chenonceau um caráter festivo-intelectual, aproveitando o espaço de seus salões para receber poetas, escritores e filósofos, como: Montesquieu, Voltaire e Rousseau.

Depois de caminhar, subindo e descendo escadas, conferindo as informações dos folhetos e audioguia, passei, primeiro, às alamedas esverdeadas da natureza bruta, e, depois, pela natureza contida e arquitetada dos jardins de Cathérine de Médicis e Diane de Poitiers. Aqui gostaria de compartilhar que, talvez, seja mais apropriado, como primeiro momento, conhecer o castelo e, num segundo tempo, aproveitar os jardins para descansar, apreciando a profusão de cores de suas flores.

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Provavelmente você gastará toda a manhã neste percurso, assim, após o passeio, vale a pena almoçar em um dos restaurantes situados na propriedade que abriga o castelo. A alimentação vai de almoço completo a um lanche simples, como um sanduíche, por exemplo. Para finalizar, após um café, é importante conhecer aquelas lojinhas de souvenir. Vejam, não sou do tipo que sai comprando mil e uma coisinhas, não gosto muito das miniaturas que enfeitam as mesas de centro das salas rsrsrs, mas é possível, nestas lojas, garimpar excelentes livros sobre a história do lugar. Neste passeio comprei três volumes: um em português e dois em francês.

FROM THE FIELDS TO A PLATE

Rodeados pelos sons peculiares aos ouvidos de alguém estrangeiro, a natureza de Chenonceau exibe sua pátria pomposa, uma identidade marcada, deixando aos olhos a sensação de pertencer a outro tempo: uns séculos de longe.

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Route de Chenonceaux à travers la forêt monte jusqu´à Bléré […] Chemin frais, à cause de la fraîcheur de la pluie [..] Le soir, 2 mai, neuf heures –Le soir nos avons été fumer sous les arbres verts, à la pluie […] De Chenonceaux à Bléré: route à pied, au bord du Cher dans l´herbe; soleil (FLAUBERT, 1847).